A influência da navegação de cabotagem na fundação de Joinville

A antiga Colônia Dona Francisca, que deu origem a Joinville (SC), surgiu quando parte das terras que haviam sido recebidas pela Princesa Dona Francisca, irmã de Dom Pedro II, como dote de seu casamento com François Ferdinand Philippe d’ Orléans, 7º príncipe de Joinville, foram cedidas para a Colonizadora de Hamburgo.

 

Joinville foi oficialmente fundada em 9 de março de 1851, dia da chegada da barca Colon, vinda de Hamburgo (Alemanha), após três meses de travessia pelo Atlântico com o primeiro grupo de imigrantes alemães. Na década de 1880, a ligação de Joinville com o Planalto Catarinense, através da Estrada Dona Francisca, e a navegação fluvial com o Porto de São Francisco do Sul propiciou o escoamento de importante produção de mate.

 

A navegação se fazia por meio de chatas, lanchões e barcos de pequena cabotagem pela Baía da Babitonga, Lagoa de Saguassu, hoje Saguaçu, e o Rio Cachoeira, já em Joinville. O pequeno porto, junto ao centro da vila, possuía ao longo de centenas de metros de cais armazéns e importantes instalações como os silos e o moinho de trigo, importante mercadoria importada da Europa.

 

O Porto de Joinville manteve-se com grande atividade econômica até 1906, quando foi inaugurada a Ferrovia de Porto União a São Francisco do Sul, que deixava o município catarinense a menos de uma hora do Porto. A partir dessa data, a navegação fluvial foi perdendo as cargas para a ferrovia até se extinguir completamente nas décadas seguintes. Em 1931, o Departamento Nacional de Porto e Navegação realizou a dragagem do Rio Cachoeira e da Lagoa do Saguaçu até o afluente Bucarein, a 1.500 metros de Joinville. A profundidade foi para dois metros na maré baixa, com o objetivo de reativar a navegação fluvial já agonizante.

 

O Porto de Joinville somente voltou a operar em 2009 com a inauguração da primeira hidrovia de Santa Catarina, que faz o trajeto aquaviário para passageiros, entre os municípios de Joinville e São Francisco do Sul, passando pelos tradicionais Rio Cachoeira, Lagoa do Saguaçu e Baía Babitonga. O Terminal Marítimo de Joinville localiza-se ao lado do Mercado Público local no antigo porto.

O projeto foi idealizado pela Secretaria de Desenvolvimento Regional de Joinville, com autorização do Departamento Estadual de Transportes e Terminais (Deter) e da Capitania dos Portos de São Francisco do Sul, e a operação foi autorizada pelo Centro de Hidrografia da Marinha (CHM).

O transporte é realizado pela empresa Jet Bus Transportes Marítimos e tem a extensão aproximada de 23 quilômetros entre o Terminal Hidroviário de Joinville e o Terminal de Passageiros de São Francisco do Sul junto ao Centro Histórico. Segundo a Capitania dos Portos de São Francisco do Sul, mais de 11 mil pequenas embarcações serão beneficiadas com a sinalização implantada, diurna e noturna, que auxilia na orientação e condução das embarcações.

A linha de passageiros é atendida pelo moderno Jet Bus, de fabricação argentina, com capacidade 87 passageiros e pela Jet Van para 20 passageiros. A retomada da navegação no Rio Cachoeira foi aguardada com muita ansiedade pela comunidade, pois resgata a navegação fluvial após 80 anos, quando eram transportadas mais de 10 mil pessoas por ano.

No futuro, a hidrovia poderá também ser utilizada para o transporte de carga, principalmente por contêineres, uma vez que existe interesse de empresários na construção de terminais de transbordo junto a linha da ALL e da BR-280, para abastecer o futuro Porto de Itapoá, em construção na margem esquerda da Baia de Babitonga.

Referências bibliográficas

"Navios e Portos do Brasil", de autoria de João Emílio Gerodetti e Carlos Cornejo, Solaris Edições Culturais, São Paulo – 2006.

http://www.maisfmjoinville.com.br/

http://www.revistaportuaria.com.br/

http://www.deter.sc.gov.br/

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